Investidores, esqueçam as ações e as obrigações tradicionais
O mercado de capitais tem uma capacidade especial de nos pôr no lugar certo: sempre que achamos que já vimos tudo, as regras do jogo mudam. Durante anos vivemos num contexto de juros quase a zero, liquidez barata e uma certa ilusão de que o risco tinha sido domesticado. Nesse cenário, os convertible bonds ficaram muitas vezes num canto, vistos como algo técnico, quase esotérico, reservado a hedge funds e a investidores “de nicho”.
Hoje, como forte foco em modelos de dívida e estruturas híbridas, olho para esse mercado e chego a uma conclusão simples: estamos, provavelmente, no momento mais interessante dos últimos quinze a vinte anos para levar esta classe de ativos a sério. E não apenas como complemento, mas como peça central de uma estratégia moderna de investimento. O ponto de viragem é uma combinação de elementos que se alinharam ao mesmo tempo, entre elas a subida das taxas de juro, uma maior volatilidade, necessidade de financiamento mais flexível por parte das empresas e, sobretudo, uma maturidade muito maior do próprio mercado de convertibles. O que antes era percebido como produto periférico está a regressar à mesa principal, agora com um papel mais claro, mais robusto e, diria mesmo, mais estratégico.
Comecemos por algo muito concreto, o volume de emissões. Nos últimos dois anos assistimos a um verdadeiro renascimento do mercado de convertible bonds. Empresas de tecnologia, saúde, mobilidade elétrica, energias renováveis e software de alto crescimento voltaram a recorrer a este instrumento para financiar os seus planos de expansão. Em vez de aceitarem uma diluição imediata e definitiva através de aumentos de capital tradicionais, preferem estruturas que permitem ao investidor converter mais à frente, se a criação de valor se concretizar.
Do lado de quem investe, isto é ouro: mais papel, mais diversidade setorial, maior dispersão de risco e melhores pontos de entrada........
