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A convenção de Warren Buffett sem Buffett: 10 pontos para entender Omaha

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06.05.2026

Cheguei ao CHI Health Center, em Omaha, às seis da manhã. Nos últimos anos, a essa hora, a fila dobrava o quarteirão e a competição era pelos melhores assentos para ver, de perto, o homem que reinventou o conceito de “investir para o longo prazo”. Neste sábado, 2 de maio, a fila simplesmente não estava lá.

Caminhei pela feira de exposições das empresas investidas: Brooks Running, See’s Candies, Dairy Queen, Geico, BNSF, NetJets. Logo percebi um silêncio invulgar. Não havia disputa por souvenirs, nem aquela energia quase religiosa de Woodstock dos Capitalistas que a imprensa mundial canonizou ao longo de seis décadas. Quando subi para a parte mais alta da arena, a vista revelou a cena mais simbólica do dia: cadeiras vazias. Muitas. A arena, que já recebeu mais de 40 mil acionistas, estava pouco mais de metade cheia.

Foi a primeira assembleia da Berkshire Hathaway sem Warren Buffett no comando. E o vazio dizia mais sobre o momento do mercado do que qualquer linha do balanço.

A seguir, os dez pontos que considero indispensáveis para qualquer investidor, seja brasileiro ou global, que precisa entender o que mudou (e o que não mudou) na holding mais observada do planeta.

A era Greg Abel começou – e ela é técnica, não folclórica

Buffett cedeu o cargo de CEO em janeiro, mas permaneceu como chairman e fez comentários da plateia. No palco, quem conduziu foi Greg Abel, acompanhado de Ajit Jain (seguros), Katie Farmer (BNSF) e Adam Johnson (NetJets e retalho). A piada folclórica, a tirada de Munger, o improviso filosófico, tudo isso saiu de cena. Entrou um discurso operacional, detalhado, quase pragmático demais para os padrões emocionais do evento. É um sinal: o evento da Berkshire deixou de ser teatro e voltou a ser empresa.

397 mil milhões de dólares em caixa

Abel abriu o Q&A respondendo a uma pergunta sobre por que razão manter a ação da Berkshire no longo prazo. A resposta foi direta: 397 mil milhões de dólares em dinheiro e Treasuries garante “liberdade de movimento” e a postura de “não estar refém de ninguém”.

Em seguida, reforçou: “Não estamos ansiosos por investir capital em oportunidades subpar.” Para o investidor que vê apenas uma........

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