Paulinho e as opções de Roberto Martínez
Há jogadores que podem marcar uma catrefada de golos, mas continuam a ser patinhos feios incompreendidos pelos adeptos e até por muitos treinadores carregados de experiência. Depois há eternas promessas a viver da glória do passado, dos seguidores das redes sociais e de um glamour que os coloca lá em cima mesmo quando já estão longe desses níveis de excelência.
No futebol há um pouco de tudo. Uns sofrem mais do que outros para serem reconhecidos e mostrar que os números não surgem por mera coincidência. É o caso de Paulinho, um jogador discreto com três internacionalizações e dois golos, mas autor de uma época cheia de emoções fortes com 26 golos em 38 jogos pelo Toluca, um clube mexicano de um campeonato bem mais interessante do que muitas ligas recheadas de petrodólares do Médio Oriente.
Mesmo perante estes factos, Roberto Martínez riscou-o da convocatória por entender que era um ponta de lança semelhante a Gonçalo Ramos e Ronaldo. Mas quando Rafael Leão e Rodrigo Mora se lesionaram e a mobilidade da seleção ficou em causa, fez um flic-flac à retaguarda, como se diz na ginástica, e chamou-o para os amigáveis com o México e os Estados Unidos.
Há algo que não bate certo nesta linha de pensamento, entre jogadores com perfis diferentes, e que pode colocar em causa aquilo que seria uma aposta justa, a presença de Paulinho no Mundial de 2026, até porque Ronaldo, o tal ponta de lança que provavelmente vai ser titular, já tem 41 anos e, neste momento, está lesionado e sem ritmo competitivo. Convém não esquecer.
