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Janeiro, à margem

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03.01.2026

Janeiro não me parece um começo. Parece-me uma margem. Aquele espaço em branco que acompanha o texto sem o apressar, onde não se escreve para avançar, mas para compreender. Não pede decisões nem promessas. Limita-se a existir ao lado da história, disponível, silencioso. Talvez por isso me seja impossível entrar em janeiro com pressa. Dezembro deixou-me outro ritmo nas mãos. Um ritmo feito de lentidão, de ócio sem culpa, de dias que se dobraram sobre si mesmos como páginas relidas. Houve mesas longas, conversas sem hora marcada, risos que interromperam a leitura, beijos demorados, tardes de embalo no sofá e, pela primeira vez em muito tempo, essa interrupção não foi uma falha, mas um sentido. Em dezembro aprendi a ler menos. E a ler melhor. Fechei livros para olhar........

© JM Madeira