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Do Afeganistão às Comores: troquei as balas pelo lixo

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02.08.2026

Depois de seis meses no Afeganistão, onde a minha vida quotidiana era feita de armas, guarda-costas, carros blindados, coletes à prova de balas, restrições de movimentos e uma permanente sensação de que qualquer esquina podia esconder uma surpresa desagradável, a perspectiva de passar uns meses nas ilhas Comores parecia quase uma recompensa divina. Um pequeno arquipélago islâmico no oceano Índico, entre Madagascar e Moçambique, com praias paradisíacas, águas quentes e clima tropical. A realidade encarregou-se rapidamente de corrigir o meu entusiasmo.

As Comores são compostas por quatro ilhas: Grande Comore, Anjouan, Mohéli e Mayotte. As três primeiras tornaram-se independentes de França em 1975, enquanto Mayotte decidiu, através de referendo, permanecer sob administração francesa, uma situação que continua a ser motivo de disputa diplomática. Nas décadas seguintes, as Comores ficaram conhecidas por uma sucessão quase interminável de golpes de Estado e mudanças de governo, muitas delas envolvendo o célebre mercenário francês Bob Denard.

Toda essa instabilidade política era visível nas ruas. O primeiro sinal de que o paraíso que eu tinha imaginado talvez existisse apenas nos folhetos turísticos foi a quantidade impressionante de lixo. O caminho entre o aeroporto e o hotel parecia uma........

© JM Madeira