À vista desarmada
No penúltimo dia de 2025, na ponta oeste de uma ilha geograficamente africana mas que o destino entendeu que fosse anexada à potência que liderava as técnicas de navegação de então, Portugal, vi a exposição de Rigo 23, Abismo Adentro, patente no MUDAS, o Museu de Arte Contemporânea da Madeira. Um dos «ecos» desta exposição — e que bonito é percorrer a Madeira visitando a obra deste artista, de alguém que vivendo há muito nos EUA não deixa de caminhar pela, e marcar a, vida madeirense — é Echo Armada, que percorre as consequências da viagem do explorador e colonizador português Vasco da Gama à Índia, estando atento à perspetiva da presa e não tanto do leão. Rigo relembra-nos, entre outros, que o «Drama do Gama» é o nosso Drama e até o conseguirmos resolver — ou, pelo menos, lidarmos com ele — nunca chegaremos à Índia. Eduardo Lourenço dizia que todas as viagens são viagens à Índia, e eu atrevo-me a acrescentar que muitas viagens, sobretudo aquelas que se querem significativas, são viagens ao Drama [por resolver] do Gama. A talho de foice, parece-me que o debate em torno da desejada afirmação da União Europeia como potência não poderá avançar sobre uma base sólida se não tiver como pano de fundo a capacidade........
