As maravilhosas resoluções de Ano Novo
Sempre que transito de um ano para outro, penso que o mais extraordinário que me poderá acontecer no novo ano é morrer. Sem dúvida. Morrer é mesmo o mais extraordinário que me poderá acontecer nos próximos 12 meses e eu penso nisso com uma intensidade vívida, algures numa fração de segundo situada entre as 00:00 e as 00:10 do dia 01 de janeiro, enquanto o fogo-de-artifício clareia a noite na minha cidade.
(Já agora, importa dizer que quando não estou na Madeira o espetáculo pirotécnico ocorre na mesma dentro de mim, como se eu fosse a baía e o anfiteatro do Funchal, de modo que acabo por pensar nisto em qualquer lugar.)
Não consigo precisar desde quando comecei a pensar assim, sendo certo que se trata de um pensamento da idade madura, nascido já depois dos 45 anos, mas sei que se agudizou após a morte do meu pai, em 2020. Foi então que, finalmente, vi como é que a minha vida poderá acabar na melhor das hipóteses: exatamente como a dele.
São sempre poucas as alternativas para um final de vida feliz e aquele não foi mau de........
