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Venezuela: o xadrez que ninguém quis ver (e por que o Brasil precisa acordar antes que seja tarde)

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06.01.2026

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Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, enquanto Caracas dormia, o tabuleiro geopolítico do hemisfério ocidental foi alterado de forma definitiva. Em menos de 30 minutos, forças americanas capturaram Nicolás Maduro, retiraram-no de um bunker fortificado e o colocaram em um avião com destino a Nova York, onde será julgado por narcoterrorismo.

As reações foram imediatas e previsíveis. Parte da comunidade internacional gritou “golpe”. Outros falaram em “imperialismo” ou “violação da soberania”. O coro da indignação soou alto — embora seletivo. Para quem vinha acompanhando os movimentos recentes da política internacional, porém, o desfecho estava longe de ser inesperado.

Nos últimos meses, artigo após artigo, esse cenário vinha sendo desenhado. Em A Fortaleza Americana, foi analisado o reposicionamento estratégico dos Estados Unidos. Em A Grande Fratura, mapeou-se o colapso do eixo China–Rússia e suas consequências hemisféricas. Trump foi analisado não como um showman errático, mas como um estrategista com objetivos claros, apontando para uma inflexão dura na política externa americana. O que ocorreu naquela madrugada não foi improviso; foi execução. A questão central, agora, é outra: o Brasil está entendendo o que aconteceu?

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Para compreender o episódio, é preciso separar fatos de narrativas. Hugo Chávez chegou ao poder em 1998 por meio das urnas, mas utilizou a própria flexibilidade do sistema democrático para subvertê-lo por dentro. Reescreveu a Constituição, aparelhou o Judiciário, subordinou as Forças Armadas e transformou a Venezuela em um laboratório de autoritarismo de esquerda. Quando morreu, em 2013, Nicolás Maduro herdou essa máquina — e a aperfeiçoou.

Sob seu comando, o regime cruzou definitivamente a linha. As eleições de 2024 foram fraudadas diante do mundo. María Corina Machado, líder da oposição e hoje laureada com o Nobel da Paz, foi impedida de concorrer.........

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