Como os juros elevados e o custo da contratação formal travam operações gastronômicas
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Abrir uma operação gastronômica sempre foi uma decisão corajosa, que envolve assumir riscos relevantes. Com juros em patamares elevados e renda fixa pagando retornos de dois dígitos ao ano, com baixo risco, essa relação se torna ainda menos favorável à atividade produtiva. O empresário que dispõe de capital passa a comparar o resultado incerto de uma nova operação com a previsibilidade de uma renda fixa que remunera mensalmente.
Nesse cenário, a renda fixa vira, na prática, um piso de retorno exigido pelo investidor. Se um título público entrega mais de 1% ao mês, qualquer projeto produtivo precisa superar esse patamar. No caso de um restaurante, o montante necessário é alto: adequações do imóvel, equipamentos, equipe e capital de giro para o período inicial, geralmente deficitário.
Quando a expansão depende de crédito, o quadro é ainda pior: linhas para capital de giro e investimento operam com juros acima da taxa básica, e incorporar esse custo à precificação muitas vezes é incompatível com o poder de compra do público-alvo.
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Em ambiente de juros mais baixos, muitos projetos seriam viáveis, mas, com o juro atual, a conta não fecha. Como consequência, ocorre redução da abertura de novos estabelecimentos, da expansão de operações existentes e do ritmo de criação de........
