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O gosto amargo que pode salvar vidas (e marcas)

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18.03.2026

Sou pai da Nina, que vai fazer 3 anos, e do Jazz, que tem 9 meses. Nessa fase da vida, a gente passa a enxergar risco onde antes só via rotina. É quase um superpoder que se desenvolve, uma lente de aumento para os perigos invisíveis do dia a dia.

Um controle remoto aberto, uma embalagem colorida, uma tomada exposta. Coisas que, para um adulto, são inofensivas. Mas para um bebê curioso ou uma criança exploradora, representam um universo de possibilidades e, infelizmente, de acidentes.

Nada disso foi pensado para uma criança. Mas tudo, inevitavelmente, passa pela mão de uma.

Eu trabalho, presencialmente, três dias da semana em um escritório que fica exatamente ao lado de um mercado OXXO. Costumo passar nele todas as manhãs para comprar iogurte e, recentemente, um produto comum me fez olhar para a inovação de um jeito diferente. Era uma bateria da Duracell. Nada de novo, à primeira vista.

Até perceber um detalhe crucial: ela tinha uma camada de Bitrex, uma das substâncias mais amargas que existem. Confesso: eu não fazia a menor ideia do que era Bitrex até ler a explicação na embalagem.

Se uma criança coloca na boca, a reação é imediata: ela cospe. É um reflexo instintivo, uma barreira natural.

Enquanto pagava meu iogurte, pensei: Aquilo não melhora a bateria em termos de energia ou durabilidade. Mas muda completamente o que pode acontecer ao redor dela. É uma inovação que não aprimora a função principal, mas protege o usuário em um cenário de uso não intencional.

Foi aí que essa bateria fez mais sentido para mim. Porque ela não resolve o uso correto. Ela........

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