Reflexões sobre a tempestade: uma crônica de Ano Novo
Há 14 anos, minha mãe estava internada no quarto 700. Naquela tarde, fui até a pequena capela do hospital, ajoelhei-me diante do crucifixo e fiz uma prece sem palavras.
Ao lado da capela ficava a ala das crianças. Os pequenos pacientes, acompanhados de suas mães e pais — havia avós e irmãos também —, aguardavam sessões de quimioterapia. Nas paredes da ala infantil, vi desenhos de anjos e fadas; e uma moça baixinha, de cabelos curtos, que conversava com as crianças e sorria.
De repente, a moça se virou para mim:
— Paulo!
Então eu a reconheci.
— Ana!
Sete anos antes, Ana e eu havíamos trabalhado juntos. Numa manhã de sábado, seus dois filhos, uma menina de 10 e um menino de 7 anos, saíram para comprar balas na mercearia e foram atropelados na faixa de pedestres por um motorista que avançou o sinal vermelho.
Agora, Ana estava ali. Sorrindo. Conversando com as crianças. Confortando pais e mães. Minorando o sofrimento dos outros.
A visão de Ana foi a resposta à........





















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