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O destino dos vencidos

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29.10.2026

A eleição brasileira terminou, mas para os vencedores derrotar o adversário não parece ter sido suficiente. Sete minutos depois da confirmação da derrota de Flávio Bolsonaro, a Polícia Federal assinou um pedido para apreender seus passaportes. No dia seguinte, o PT anunciava quem seria o próximo alvo. Na terça-feira, um deputado governista dizia ter informações privilegiadas sobre novas prisões de bolsonaristas. A sequência traz uma questão: o que acontece com uma democracia quando a vitória eleitoral deixa de ser entendida como autorização para governar e passa a ser interpretada como licença para eliminar politicamente o adversário?

Em 416 a.C., Atenas exigiu a submissão da ilha de Melos, que insistia em manter sua neutralidade no conflito. Os mélios invocaram a justiça e o direito para seguir tocando a vida. Os atenienses responderam com uma crueza que define nossos tempos: os fortes fazem o que podem, enquanto aos fracos resta suportar o que lhes é imposto. Veio o cerco, a capitulação, a execução dos homens adultos capturados e a escravização de mulheres e crianças. A rendição não bastou. Para os vitoriosos, era necessária a terra arrasada.

O paralelo com o Brasil não está na violência física, mas na lógica que transforma a vitória em licença para subjugar o derrotado. Na guerra, o vencedor procura impedir que o inimigo volte a combatê-lo. Nas democracias, a legitimidade da vitória depende também da preservação do direito dos vencidos de disputar novamente o poder. É uma distinção que parece não ser mais regra na política brasileira.

Uma semana antes do segundo turno, durante o debate da Band, Lula advertiu Flávio Bolsonaro: “Você se prepare que dia 25 você vai perder imunidade e você vai ter problema”. Acrescentou que os inquéritos contra o senador passariam a andar. A mensagem era inequívoca. Lula, que adora se........

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