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O complexo de Édipo do Brasil: o que nos impede de ter justiça é o sistema judicial

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21.08.2026

Num dos motivos mais repetidos da literatura, testemunhamos uma cidade, um reino ou mesmo uma casa que já cultivou dias de glória, mas caiu em desordem pela ausência de algo ou alguém que represente a norma, a lei, o correto, o que deve funcionar. Não voltamos a ver a ordem enquanto uma situação sabidamente injusta não for corrigida.

Na Odisseia, Odisseu está longe de casa há 20 anos, enquanto sua casa é esbulhada por pretendentes de sua esposa. Em Star Wars, Palpatine usa uma guerra de secessão para exterminar a Ordem Jedi, permitindo a ascensão do Império Galáctico. Em O Senhor dos Anéis, Frodo é retirado de sua pseudo-tranquilidade, sem saber que o afastado Condado só está em paz por ainda desconhecer a inevitável guerra vindoura. O Rei Arthur precisa salvar Camelot da destruição, crendo que o caos no reino é culpa de raças não humanas, como fadas e gigantes – sem ainda perceber que terá de superar sua própria corrupção para unificar o reino. Em Game of Thrones, a sucessão manca de reinos que se imbricam, com aproveitadores de olhar de curto prazo tentando passar a perna (e a espada) uns nos outros, acaba fazendo com que todos ignorem a guerra contra os mortos, que afetará a todos por igual.

Tais momentos caóticos são chamados na literatura de dysnomia, a ausência de nomos, ou do cumprimento de normas e leis que equilibrem as relações entre os homens. Urge frisar que a ausência de nomos não significa ausência de leis, e sim do seu cumprimento: nenhum grego há 3 mil anos iria tentar resolver uma situação de desordem........

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