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Cancro digestivo: os doentes têm o direito de não esperar mais

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06.08.2026

Nos últimos meses, o debate sobre o acesso à inovação terapêutica em Portugal tem, finalmente, ganho a atenção pública que merece. Associações de doentes, sociedades científicas e decisores políticos têm reconhecido, cada um à sua maneira, que já não é a existência de novos tratamentos que falta ao país — é o tempo, a equidade e a capacidade de os fazer chegar a quem deles precisa.

Na Europacolon Portugal, que representa doentes com cancro intestino, gástrico, do esófago, do fígado e do pâncreas, vivemos esta realidade todos os dias, num plano que raramente chega às estatísticas gerais da oncologia. O cancro colorretal é, por si só, o mais frequente dos cancros digestivos, com mais de dez mil novos diagnósticos por ano em Portugal — o equivalente a cerca de 13 mortes por dia e, somando todos os cancros digestivos que aqui representamos, a mais de 32 mortes por dia, segundo os dados mais recentes do GLOBOCAN (base de dados da agência internacional para a pesquisa do cancro). E, no entanto, o cancro colorretal continua a ser em grande medida evitável: quando detetado precocemente, mais de nove em cada dez doentes podem ver a doença controlada. O problema não é a ciência.

É o tempo que passa entre o que sabemos e o que fazemos.

Esse tempo mede-se de duas formas. Mede-se primeiro no rastreio, que continua por não chegar de forma equitativa a todo o território nacional — há regiões e grupos de doentes para quem o rastreio do cancro colorretal continua a ser, na prática,........

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