Sem férias da história
A Europa nunca esteve de férias da história, como afirmou Friedrich Merz. Cada pedra, cada praça, cada parlamento carrega memórias de impérios desfeitos, de guerras devastadoras e de reconstruções forçadas. E ainda assim persiste entre alguns dos seus dirigentes a ilusão de que seria possível suspender o tempo, criar um interlúdio em que a integração política avançasse com serenidade. Não foi a Europa que esteve de férias. Foram os seus líderes que desistiram de a reinventar. Que desistiram de pensar uma União Europeia para um mundo geopolítico novo.A paralisia da integração europeia é a prova mais concreta desta realidade. Ao longo de décadas o continente avançou. Certamente em passo hesitante, mas não por isso menos decisivo. Do Conselho da Europa às Comunidades Europeias, do fracasso da Comunidade Europeia de Defesa à União Europeia, do colapso da Constituição ao Tratado de Lisboa. Cada fase foi marcada por compromissos e recuos, por momentos de persuasão, de transformação de mentalidades e de alinhamento das estruturas às grandes mudanças. Uma coreografia lenta em que alguns resistiram à fantasia do fim da história e à dependência cega do benfeitor transatlântico.Hoje, uma Europa federal não está em cima da mesa. Não há, nem está para haver, um Compromisso do Connecticut – proposto na altura por Roger Sherman, um dos pais fundadores dos Estados Unidos – que instituísse uma Câmara dos Representantes com deputados proporcionais à população e um Senado com 2 senadores por cada um dos 27 Estados-Membros. Também não........
