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Você ainda ama seus amigos ou só acompanha os stories deles?

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08.07.2026

Outro dia o Instagram me lembrou que era aniversário de uma amiga.  Achei delicado da parte dele. A Meta aparentemente sabia mais sobre a nossa relação do que nós duas.

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Pensei em mandar uma mensagem. "Parabéns! Tudo de lindo." Escrevi. Apaguei. Escrevi de novo. Achei íntimo demais. Achei distante demais. Reagi a um story com um coração. Ela curtiu a reação. Pronto.

Essa atitude foi o equivalente emocional a dois vizinhos que se encontram no elevador, comentam que o tempo anda seco e seguem para apartamentos diferentes. Passamos quinze anos dividindo a vida e agora compartilhamos um emoji.

Freud dizia que o luto é um trabalho e faz todo sentido, claro. Porém ele, que explica tudo, não explicou o que fazer quando a pessoa continua viva. Porque existe um tipo de morte que não tem caixão, flores, lápide. A pessoa continua ali, o tempo todo, com a gente. Só que do lado de fora. 

Não há missa de sétimo dia para a amiga que parou de responder seus áudios de sete minutos. Não existe licença no trabalho porque aquele grupo inseparável da faculdade hoje mal consegue combinar um café. Ninguém leva lasanha para a sua casa porque você descobriu que virou uma espectadora da vida de alguém que um dia sabia a senha do seu Orkut.

Ninguém têm método, tempo, escuta para a saudade daquela amizade de infância, que viveu com você suas piores dores e melhores momentos e que abandona, sem mais nem menos. Não existe manual para a falta de consideração. Para o vazio que fica quando alguém tão íntimo se vai e não se pode chorar por isso, porque a pessoa ainda está ali. Só não é mais alcançável. 

Talvez porque........

© Estado de Minas