2026 na filosofia do pardal caramelo
Gosto de olhar para as samambaias que minha mãe plantou. Não sei ao certo, mas estimo que estejam ali há mais de quarenta anos. Renovam os brotos com uma dignidade quase insolente: nada anunciam, nada performam. Suas raízes persistem, e as folhas se inclinam sob a árvore como quem sabe que não há pressa alguma. É uma boa relação com o tempo — ou melhor, uma experiência no tempo que não exige produtividade.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Tenho certeza de que, se pudessem responder às minhas perguntas, as samambaias não ofereceriam frases de efeito, nem fórmulas para “desbloquear o potencial oculto”. Nada de livros de autoajuda, gurus do Vale do Silício ou duendes empreendedores lançando startups em foguetes. Sua filosofia é outra: a do silêncio, da beleza discreta e da repetição paciente. Um exercício cotidiano de permanecer sendo apenas mais um verde, em meio às tantas orquídeas coloridas, exuberantes e breves. Uma estética que Byung-Chul Han talvez chamasse de resistência — aquela que simplesmente se recusa a competir.
Leia Mais
Enzo, cultive a raiva interior Michelle, um exemplo A aula que Zema não estudouEste ano terá eleição e, como sempre, viveremos tudo outra vez. Ou talvez nada de novo. Se as samambaias pudessem responder às minhas inquietações políticas, provavelmente suspirariam — se é que........
