O leilão para a chapas de deputados federais
Dois deputados federais e presidentes de partidos políticos em Minas se encontram sentados lado a lado, na quinta-feira, em voo de Brasília a Belo Horizonte. Um deles reclama: “Você está dando muito dinheiro para a campanha de fulano (um ex-deputado federal). Está inflacionando o mercado para montar as chapas”. O segundo interlocutor estranhou a abordagem: “Como assim? Eu? Quem está dando é você!”. O primeiro não se fez de rogado e despejou irritado: “Ele me disse que você ofereceu R$ 2 milhões para ele ser candidato pelo seu partido. E pediu para eu cobrir a oferta”. A resposta do segundo interlocutor: “Uai, sabe que ele me disse o mesmo de você?” Interlocutores se entreolham desconfiados, avaliando se ambos são vítimas de um mesmo fenômeno ou competidores pelo passe de uma candidatura com potencial de votos para as suas legendas. Os dois sabem que as duas situações são verdadeiras.
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Para partidos, eleger deputados federais tornou-se mais importante do que conquistar governos de estados: quanto maiores as bancadas, maior a participação proporcional no fundo partidário, de em média R$ 4 bilhões ao ano, e, no fundo eleitoral, que, em 2026, será de R$ 4,9 bilhões. Além disso, as legendas precisam superar a cláusula de barreira, conquistando 2,5% dos votos válidos (ou elegendo 13 deputados federais). Caso contrário, serão condenadas à míngua: não terão acesso a recursos públicos, nem a tempo de propaganda gratuita e ao horário eleitoral gratuito. Tendem a desaparecer.
É sob a pressão da sobrevivência que lideranças de partidos de porte pequeno e médio se tornaram partícipes de um leilão para a........
