Opinião | As ondas de choque causadas pela ação militar dos EUA contra a Venezuela
A ação militar dos EUA contra a Venezuela e Nicolás Maduro no último dia três produziu um efeito sísmico na política internacional e na geopolítica nesse início de 2026. O uso de força militar para abduzir um chefe Estado estrangeiro e forçar uma jurisdição sobre ele não passa despercebido pela comunidade internacional, nem pelos mais ferrenhos aliados dos EUA ou críticos do governo autoritário que foi alvo dessa ação. Torna-se necessário, então, um olhar para quais os possíveis focos de desdobramentos dessa ação.
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O primeiro foco é, claro, a própria Venezuela. Um mês atrás, aqui em nosso espaço, analisamos as opções e planos do governo Trump, e a análise publicada se confirmou com os acontecimentos recentes. Naquele texto, mencionamos que um vácuo pós-Maduro provavelmente seria ocupado por militares. Ainda é cedo para afirmar se os EUA agiram em acordo com algum setor do poder venezuelano, mas é algo totalmente plausível, vista a aparente anuência que a vice-presidente Delcy Rodríguez recebeu de Trump
Anuência pontuada por uma ameaça, diga-se. Também já mencionamos aqui em nosso espaço o poderoso ministro da Defesa, Padrino López. Além de Rodríguez e dos militares, existe outro setor no Estado venezuelano, o liderado por Diosdado Cabello, bastante influente perante os coletivos e milícias populares. Mesmo que tenha havido algum tipo de acordo com a participação de Rodríguez e seus aliados, ou com os militares venezuelanos, a queda de Maduro cria um vácuo e abre um cenário de desconfiança e de humilhação externa.
Salvo esse vácuo seja rapidamente ocupado, o risco de violência interna e crise política não é desprezível. Trump deixou claro que eleições não são sua prioridade, e escanteou Maria Corina Machado, afirmando que ela não tem força suficiente. Leia-se, os militares não a aceitariam, e são eles os verdadeiros donos do poder na Venezuela, ocupando quase todo o aparato de Estado. A imprensa dos EUA especula também que esse escanteio pode ter relação com o ego de Trump perante o © Estadão

Toi Staff
Sabine Sterk
Gideon Levy
Mark Travers Ph.d
Waka Ikeda
Tarik Cyril Amar
Grant Arthur Gochin