Opinião | Vigilância ativa no câncer de próstata
A vigilância ativa (VA) emergiu como uma das principais estratégias para o manejo do câncer de próstata localizado de baixo risco, ou seja, doenças iniciais e pouco agressivas. A abordagem consiste em monitorar ativamente a doença por meio de exames regulares, como o PSA, toque retal e biópsias de acompanhamento, em vez de optar por um tratamento imediato com intenção curativa, como a cirurgia (prostatectomia radical) ou a radioterapia. Essa estratégia, no entanto, gera um intenso debate na comunidade médica, equilibrando os benefícios de evitar o sobretratamento contra os riscos de uma possível progressão da doença.
A principal justificativa para a vigilância ativa é que muitos tumores de próstata, especialmente os de baixo risco (classificados como “escore de Gleason 6”), são indolentes, ou seja, crescem tão lentamente que nunca chegariam a ameaçar a vida do paciente. Com isso, é muito mais provável que o paciente venha a ter outras doenças que possam impactar seu no tempo de vida do que o câncer de próstata em si. Por esse motivo, o tratamento radical com cirurgia ou radioterapia para muitos desses casos é considerado um “exagero”, expondo os homens a riscos de sequelas oriundas do tratamento, sem apresentar real benefício oncológico em termos de tempo de sobrevivência do paciente.
Revisões abrangentes da literatura, com seguimento de pacientes por mais de 15 anos, feitas pelo estudo........© Estadão
