Opinião | Soberania sob a Doutrina ‘Donroe’
A recente operação de extração de Nicolás Maduro do poder na Venezuela desencadeou uma profusão de análises que buscam explicar – e antecipar – os movimentos dos Estados Unidos. É compreensível essa busca por um enquadramento conceitual, mas trata-se de missão quase impossível à luz da carência de pilares sólidos e consistentes na política externa norte-americana, hoje muito balizada por impulsos personalistas e cálculos transacionais imediatistas.
No vácuo de uma doutrina formal, analistas jocosamente cunharam o termo “Doutrina Donroe” – um amálgama entre Donald Trump e James Monroe. Seria equivocado menosprezar os fatos ou encarar esse movimento como uma excentricidade passageira. A “Donroe” é sintoma de uma transformação tectônica: o prenúncio de um mundo onde a força bruta e o interesse nacional estreito sobrepõem-se ao Direito e às normas internacionais. O perigo não reside apenas na ação americana, mas na provável emulação desse modelo por outras potências, globais ou regionais, consolidando um efeito contágio que enterra a ordem internacional baseada em regras por longo e indefinido período.
Embora a Casa Branca sustente documentos como a National Security Strategy (NSS), a prática revela profunda lacuna entre a teoria e a........
