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Opinião | O passado não é mais como era antigamente

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10.01.2026

Durante a primeira metade do século 20, um consenso específico dominou a história econômica dos Estados Unidos: a visão da escravidão como um sistema inerentemente ineficiente. Até a década de 1950, a interpretação prevalecente sustentava que o trabalho escravizado era incompatível com o crescimento econômico.

As implicações dessa leitura eram politicamente decisivas. Se o sistema fosse de fato não lucrativo, a lógica econômica sugeria que ele desapareceria naturalmente com o tempo. Sob essa perspectiva, a guerra civil (1861-1865) deixava de ser um imperativo para o fim da escravidão e passava a ser interpretada como um erro de cálculo político, uma destruição de vidas desnecessária para encerrar um regime que já estava condenado pela própria obsolescência econômica.

Essa narrativa foi confrontada e alterada pela ascensão da “cliometria”, a aplicação de teoria econômica e métodos quantitativos à História. O protagonista dessa revisão foi Robert Fogel, laureado com o Prêmio Nobel em 1993. Em obras como Time on the Cross, Fogel e seu coautor Stanley Engerman demonstraram empiricamente que a escravidão não era um sistema moribundo antes da guerra civil, mas sim lucrativo e eficiente na produção de........

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