Opinião | A fragilidade do transporte marítimo de gado vivo
Cerca de 3 mil vacas, muitas delas prenhas, além de bezerros, foram embarcadas no navio Spiridon II, no porto de Montevidéu, com destino à Turquia. Cargas vivas circulam pelos oceanos em operações comerciais de exportação entre diversos países, inclusive o Brasil, movimentando milhões de dólares. O rebanho vindo do Uruguai realizou uma travessia oceânica de cerca de 13 mil quilômetros até o porto turco de Bandırma – mas foi impedido de desembarcar. A documentação veterinária exigida apresentava inconsistências.
Pela lógica comercial, um produto não aceito retorna ao dono, e os animais deveriam voltar ao porto de origem. Mas o episódio ganhou repercussão internacional, com cobertura da imprensa e manifestações de organizações de bem-estar animal. O retorno da carga viva passou a ser contestado, diante da ausência de informações confiáveis sobre a disponibilidade de ração e água, o estado sanitário e o destino dado às fêmeas mortas ao longo do trajeto.
Transportar 3 mil vacas significa lidar com animais de grande porte. Uma vaca pesa, em média, 500 quilos. Necessita de 30 a 40 quilos de forragem por dia e cerca de 60 litros de água – volume que pode ser maior em condições de calor, lactação ou prenhez. Cada animal elimina........
