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Opinião | Uso abusivo de álcool e obesidade têm mais em comum do que você imagina

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26.01.2026

Ao ler esse título, talvez você pense que a relação entre o abuso de álcool e a obesidade é óbvia. Afinal, o álcool tem calorias, pode abrir o apetite e, assim, beber frequentemente pavimentaria o caminho para o ganho de peso. Mas essa relação vai além. Os dois quadros são doenças crônicas de causas multifatoriais, envolvendo a interação entre genética, ambiente e aspectos sociais e emocionais. Além disso, o tratamento de ambas as condições é permeado por estigmas, e apenas uma pequena parcela recebe os cuidados adequados. E não para por aí.

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Segundo critérios diagnósticos de saúde mental, o consumo abusivo de álcool gera perdas relevantes na vida da pessoa — no trabalho, nos relacionamentos, na saúde física ou emocional. São impactos observados também entre quem tem obesidade. Elas são vistas como desleixadas e com baixa força de vontade, enquanto as que exageram no álcool são encaradas como aquelas que não sabem o momento de parar.

Em ambos os casos, os indivíduos são julgados, como se parar de beber ou conseguir emagrecer fosse uma questão de mero controle. É um raciocínio que desconsidera a real complexidade dessas doenças.

A obesidade tem um componente genético relevante. Estimativas apontam que de 40% a 70% da variação de peso entre as pessoas está ligada à herdabilidade. O uso abusivo de álcool também tem uma base genética de aproximadamente 50%. Sempre digo que, em muitos casos, a genética não é determinista, mas há uma vulnerabilidade que pode ser complicada de lidar dependendo do ambiente e de aspectos sociais e emocionais.

Os lugares que a pessoa frequenta, com quem se relaciona, os estímulos aos quais é exposta — tudo isso influencia o quanto se come e se........

© Estadão