Opinião | Agressão à liberdade de expressão
Esta coluna é, deliberadamente, um exercício de memória institucional. A liberdade não se preserva por inércia. Exige vigilância permanente. Democracias não morrem apenas por rupturas abruptas. Muitas vezes se esvaem lentamente, corroídas por decisões sucessivas que, sob o pretexto de protegê-las, acabam por mutilar seus fundamentos. Tenho respeito pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se de uma instituição essencial ao equilíbrio republicano e ao funcionamento do Estado Democrático de Direito. O STF não é um adversário da democracia – é, por definição constitucional, seu guardião. Justamente por isso, seus erros produzem efeitos devastadores.
As instituições não são abstrações. Elas se encarnam nas pessoas que as compõem. E a credibilidade do Supremo depende, direta e inexoravelmente, da conduta de seus ministros. Quando essa credibilidade se fragiliza, abre-se um flanco perigoso: o questionamento da legitimidade. Nenhuma democracia resiste por muito tempo a tribunais desacreditados.
Nos últimos anos, infelizmente, o STF tem contribuído para o desgaste de sua própria imagem. Pesquisas de opinião revelam índices elevados de rejeição à Corte. Não se trata de campanha orquestrada nem de ataques antidemocráticos. Trata-se de consequência. E consequências decorrem de atos concretos. Não me detenho aqui........
