O medo, o ódio e a radicalização dos jovens
A conferência que a Polícia Judiciária (PJ) realiza esta terça-feira, dedicada à prevenção da radicalização online de crianças e jovens, assinala um momento relevante no enquadramento público de um fenómeno que tem vindo a ganhar expressão em Portugal e no espaço europeu. A iniciativa, integrada na comemoração dos 80 anos da PJ, que inclui o lançamento de uma campanha nacional, resulta de uma leitura com muito conhecimento de causa da evolução deste fenómeno.
Como explicou ao DN a diretora da Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ, “a problemática da radicalização de crianças e jovens em ambiente online constitui atualmente um dos maiores desafios para a segurança interna do espaço europeu”.
Esta avaliação converge com a de várias instâncias europeias, que identificam um aumento do envolvimento de jovens, incluindo menores, em processos associados a extremismos violentos, tanto na fase de preparação como na de execução de atos criminais.
A experiência de investigação da PJ mostra que o discurso de ódio ocupa um lugar central nesses percursos. O ódio surge associado à exploração de vulnerabilidades emocionais e sociais, como a solidão, o isolamento, a ausência de pensamento crítico ou problemas de saúde mental. O ambiente digital potencia este processo, em particular quando os algoritmos funcionam como câmaras de eco que validam e reforçam narrativas........
