menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Quando toda a música é para toda a gente

5 0
09.01.2026

Em conversas recentes com vários músicos dedicados a interpretações orquestrais, tenho alimentado a esperança de um dia ver a minha expressão favorita, aquela que francamente me traz um entusiasmo infantil, a tornar-se banal e a ser frequente nos cockpits dos carros, aos altos berros. Evocando todos os estereótipos possíveis, sonho com o dia em que, no meio dum trânsito intenso, vou parar ao lado de alguém que está de janelas abertas no automóvel a ouvir com satisfação Philippe Jaroussky a interpretar Monteverdi com o ensemble L’Arpeggiata. Portanto, refiro-me a música antiga, aquela que terá sido criada até à segunda metade do século XVIII. Vá, não sou assim tão quadrado e admito incursões musicais noutros séculos, nem que seja para ouvir a Pavane em fá sustenido menor, de Gabriel Fauré, escrita em 1887. Por isso, deixo já uma advertência a quem ousar ler este texto: é um manifesto sobre o caráter divertido que a música feita para orquestra pode ter, para que mais gente passe a ir a concertos daqueles aparentemente chatos, nos quais até parece haver regras de etiqueta que implicam silêncios demorados e roupa requintada. Mais um alerta: é legítimo e........

© Diário de Notícias