A guerra fica longe. A fatura chega sempre cá
Há uma coisa extraordinariamente eficiente em Portugal: a velocidade com que uma crise internacional chega à carteira dos portugueses. Há guerra, sobem os combustíveis. Há tensão no Médio Oriente, sobem os combustíveis. Há receio de que uma rota marítima possa ser condicionada, voltam a subir os combustíveis. A explicação surge quase automaticamente: instabilidade internacional, aumento das cotações e perturbações nas cadeias de abastecimento. E nós pagamos. Mas talvez esteja na altura de fazermos uma pergunta simples: até que ponto esta explicação justifica tudo aquilo que estamos a pagar?
Não vale a pena negar a realidade. O conflito no Médio Oriente tem consequências económicas e o Estreito de Ormuz é estratégico para o mercado energético mundial. Qualquer ameaça à circulação naquela região influencia as cotações internacionais, e Portugal não está imune. Reconhecer esta realidade não significa, porém, aceitar que ela explique tudo.
Segundo o BPI Research, a exposição de Portugal às importações de energia que transitam pelo Estreito de Ormuz é relativamente reduzida: cerca de 7% no caso do petróleo e menos de 1% no caso do gás natural. Os dados da Direção-Geral de Energia e Geologia apontam no mesmo sentido: em 2025, o petróleo bruto importado por Portugal veio sobretudo do Brasil, que representou 42,3%, da Argélia, com 19,6%, da Nigéria, com 10,6%, do Azerbaijão, com 10%, e dos Estados Unidos, com 7,6%. Em conjunto, estes países representaram mais de 90% das importações portuguesas de crude.
É verdade que a origem direta do petróleo não nos protege das oscilações internacionais. O petróleo e os combustíveis refinados são negociados em mercados........
