Antissemitismo em Portugal: documentar para agir
Prevenir e combater o antissemitismo é uma obrigação moral e política. Essa responsabilidade torna-se ainda mais urgente face ao seu recrudescimento nos últimos anos, tanto no mundo, como em Portugal.
Uma sociedade que leve a sério esse combate precisa de monitorizar de forma direcionada e sistemática os atos e incidentes que possam configurar manifestações de antissemitismo, com o objetivo de os prevenir e agir de forma inequívoca.
Essa é a minha primeira prioridade enquanto Coordenador Nacional da Estratégia Europeia para Combater o Antissemitismo. Só assim serão eficazes os esforços que dirigiremos às comunidades educativas, ao sistema de justiça e às forças de segurança.
Mas não se pode monitorizar ou combater algo sem um critério de referência claro: uma definição de antissemitismo. Ao longo da história, o termo assumiu contornos diversos, mas tem sempre no seu núcleo um preconceito e uma atuação discriminatória contra uma minoria: os judeus.
A definição adotada por Portugal foi elaborada em 2016 pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), organização internacional de 35 países, da qual fazemos parte: “o antissemitismo é uma determinada perceção dos judeus, que se pode exprimir como ódio em relação aos judeus. Manifestações retóricas e físicas de antissemitismo são orientadas contra indivíduos judeus e não judeus e/ou contra os seus bens, contra as instituições........
