O Chega à conquista da esquerda?
A evolução das posições do Chega sobre questões laborais entre 2020 e 2025 merece atenção, sobretudo pelo que poderá significar, caso represente um caminho consistente e não apenas uma manobra tática.
Mudanças de posição não são, por si só, surpreendentes. Em 2020, o Chega ainda estava a ganhar forma e era ideologicamente heterogéneo. Ventura já era Ventura, mas o partido não estava tão centrado na sua figura como hoje. As “purgas” internas que afastaram dissidentes ainda não tinham ocorrido. E, na verdade, não foi o único partido da democracia portuguesa a dar ziguezagues. O que torna este caso relevante é o que pode anunciar: a aproximação do Chega ao modelo de outros partidos populistas de direita na Europa, que conquistaram parte significativa do eleitorado tradicional da esquerda através de um discurso iliberal, protecionista e antiglobalização - e altamente apelativo para quem ficou à margem dos benefícios económicos das últimas décadas e não se sente representado pela esquerda.
O exemplo francês é ilustrativo. Uma fatia importante do eleitorado que, até aos anos 90, votava no Partido Comunista........
