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A restauração não é um luxo, é um serviço essencial

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A vida, com a sua imprevisibilidade, ensina-nos lições inesperadas. Uma amiga minha sofreu um acidente aparentemente banal: uma deslocação do cotovelo direito que transformou gestos quotidianos em obstáculos quase intransponíveis. Durante três meses, abrir um frasco ou levantar a tampa de um recipiente tornou-se um desafio hercúleo. Apesar da dedicação da família e dos amigos, que se mobilizaram para providenciar refeições caseiras, muitas dessas iguarias permaneciam inacessíveis. Foi então que o restaurante do bairro - discreto, familiar, quase invisível na rotina - se revelou um verdadeiro herói, oferecendo pratos deliciosos e práticos que aliviaram o peso dessa convalescença.

Este episódio, aparentemente trivial, encerra uma verdade que frequentemente ignoramos: a restauração não é um luxo. É uma infraestrutura social silenciosa, um elo vital na cadeia do bem-estar coletivo.

Recentemente, ouvi num podcast a tese de que Portugal sofre de “excesso de restauração”. Que há cafés a mais. Que o consumo decresce porque as pessoas optam por refeições pré-preparadas. E que, por conseguinte, o mercado deve “ajustar-se” - sem apoios, sem incentivos fiscais, sem compreensão. A comparação com uma loja de tecidos foi evocada para ilustrar supostos “privilégios”. Cumpre-nos, pois, restituir as coisas à sua justa ordem.

Num país........

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