Entre ética e ideologia: o risco de um museu capturado
A revisão do Código Deontológico do ICOM [Conselho Internacional de Museus, na sigla inglesa], apresentada como uma actualização técnica alinhada com a nova definição de museu, representa na realidade uma mudança conceptual profunda e politicamente carregada. Ao deslocar o eixo do museu da conservação, do conhecimento e do acesso às colecções para a reparação simbólica, a justiça histórica e a validação de reivindicações identitárias, o novo Código arrisca a substituir uma ética profissional universal por uma moral fragmentária e contingente.
Do ponto de vista tradicional, o museu é uma instituição ao serviço da sociedade como um todo, responsável pela preservação do património comum e........
