“Espaço e Imperialismo: De Novo”
Temos sempre esta visão ingénua e mítica de que cada ano que começa nos permite acreditar, ter uma esperança renovada de que coisas boas podem acontecer, novas oportunidades, etc. e tal. Mas não este ano. Não com este clima constante e crescente de chantagem e ameaças no quadro internacional e que nos vem colocando perante o espectro de uma abordagem claramente imperialista em termos políticos e económicos.
Será também uma impressionante reversão da sorte. A longa e crescente globalização ajudou biliões de pessoas a tornarem-se mais ricas, saudáveis e com melhor educação. A integração das economias pelo comércio, pelo investimento e pelas tecnologias de comunicação e informação, e a crescente sofisticação do comércio internacional tornou os países mais interdependentes, permitiu o acesso a novos mercados e condições favoráveis à atração de investimento estrangeiro, um crescimento económico mais elevado e maior bem-estar social em muitos países; desde o fim da Guerra Fria, o tamanho da economia global praticamente triplicou e quase 1,5 bilião de pessoas saíram da pobreza extrema.
A globalização e o multilateralismo não foram uma espécie de varinha de condão capazes de resolver todos os problemas da economia, da estabilidade macroeconómica à convergência de rendimentos e à sustentabilidade ambiental. É certo que também contribuiu aumentar a divergência dos PIB per capita entre países ricos e países pobres e não criou mecanismos de compensação daqueles que perderam com a globalização. A perceção dos aspetos negativos........
