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“Marques Mendes: A estabilidade num...”

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wednesday

As eleições presidenciais de 2026 aproximam-se envoltas num paradoxo difícil de ignorar. Nunca houve tantos nomes em circulação, tantas leituras estratégicas, tantas sondagens a disputar o espaço mediático. E, no entanto, raramente se sentiu tão pouco entusiasmo coletivo. O cenário é formalmente competitivo — sem incumbente e com vários candidatos próximos nas intenções de voto —, mas politicamente morno. A fragmentação do campo eleitoral não se traduziu numa mobilização cívica robusta; pelo contrário, parece coexistir com uma sensação difusa de previsibilidade sem verdadeiro conflito.
A ciência política ajuda a compreender este fenómeno. As eleições percecionadas, como de baixo conflito simbólico ou como tendo resultados “mais ou menos decididos” tendem a gerar maior abstenção. A investigação de Cancela e Santana Pereira, autores do novo estudo “Abstenção Eleitoral em Portugal: Mecanismos, Impactos e Soluções”, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, demonstra que a mobilização dos eleitores não resulta apenas da aritmética das sondagens, mas da perceção de relevância concreta e do sentimento que a escolha tem consequências reais.
Esta dificuldade é particularmente visível na clivagem etária. O voto jovem continua a ser o elo mais frágil da democracia portuguesa. Não por falta de consciência política, mas por uma crescente dissociação entre os formatos institucionais tradicionais e as experiências políticas quotidianas das gerações mais novas. Já o eleitorado sénior mantém uma relação mais normativa com o voto, encarando-o como dever cívico regular. O resultado........

© Correio do Minho