Três lições da Copa
»CRISTOVAM BUARQUE - Professor emérito da Universidade de Brasília (UnB)
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A primeira lição desta Copa é seu papel na luta contra o racismo. Os torcedores brancos europeus tratam seus atletas como heróis, independentemente da raça. Esse reconhecimento ajuda a quebrar o preconceito, na medida em que o país passa a dever suas conquistas a jogadores negros ou árabes. Há algumas décadas, até mesmo no Brasil, exigia-se que jogadores negros usassem pó de arroz no rosto para embranquecê-los. Se esse preconceito tivesse continuado, o Brasil não teria conquistado Copas do Mundo, pois grande parte de nossos jogadores é formada por afrodescendentes.
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Nos beneficiamos ao abrir os alambrados para os jogadores negros, mas ainda não retiramos as catracas na entrada das escolas de qualidade. Para entrar nelas, no lugar do pó de arroz, é preciso pagar mensalidade, ou fazer um concurso. Orgulhamo-nos de cinco taças mundiais de futebol, mas ainda não conquistamos um único Prêmio Nobel porque dezenas de milhões de........
