Rede de Mulheres Negras do Centro-Oeste: Cerrado como território de resistência
IZETE SANTOS DO NASCIMENTO, mestra em processos de desenvolvimento humano e saúde (UnB), professora-pesquisadora, integra a Coordenação Colegiada da Remnco e SÔNIA CLEIDE FERREIRA DA SILVA, ativista social e fundadora do Grupo de Mulheres Negras Malunga, integra a Coordenação Colegiada da Remnco
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A resistência das mulheres negras no Centro-Oeste não é um gesto isolado, mas um movimento contínuo que atravessa o tempo e finca raízes no coração do Brasil. No Cerrado — território de ventos, veredas e sabedorias antigas —, germina a força de quem aprendeu a transformar dor em semeadura. É nesse chão de contrastes, onde o sol queima e a vida insiste, que as mulheres negras, indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais reescrevem diariamente a história da região, conectando ancestralidade, presente e futuro. Suas trajetórias, marcadas pela luta coletiva e pelo compromisso com o bem-viver, fazem do Cerrado não apenas um bioma, mas um território de resistência, aonde cada passo dado é também um ato de memória e esperança.
O Cerrado é mais que paisagem: é memória viva, é corpo e reza, é tambor e travessia. Nele floresce a lembrança de Leodegária de Jesus, poeta goiana que, mesmo silenciada por um mundo racista e patriarcal, ergueu sua palavra como espada e canção. Nossas histórias, antes dispersas, encontram na Rede de Mulheres Negras do Centro-Oeste o fio que as costura — um manto tecido com a fibra das que nunca desistiram.
Nos encontros dos coletivos de mulheres negras,........
