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Quando a censura chega antes da urna

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Marcelo Monteiro — especialista de marketing do Instituto Sivis

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No último domingo, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou que o país deixará de realizar eleições. Isso significa que não haverá mais disputa pelo poder quando seu mandato terminar, no próximo ano. O anúncio tem sido tratado por boa parte da cobertura midiática como uma ruptura democrática. O colapso eleitoral nicaraguense, entretanto, é apenas o estágio final de uma democracia que já vinha se deteriorando há muito tempo — pelo esvaziamento dos freios e contrapesos constitucionais, a captura de instituições e, algo frequentemente esquecido, pelo cerceamento da liberdade de expressão.

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A sequência de fatos é conhecida. Em 2018, protestos populares foram reprimidos com centenas de mortos. Os anos seguintes trouxeram a criminalização sistemática da dissidência: opositores presos ou exilados, mais de 5 mil organizações da sociedade civil fechadas, a maioria delas religiosas, veículos de imprensa cassados e, mais recentemente, a revogação em massa de licenças de advogados, o que especialistas........

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