Cinema arretado
Sérgio Moriconi — professor e crítico de cinema
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O agente secreto, de Kleber Mendonça, acaba de receber o Globo de Ouro em duas importantes categorias, a de Melhor filme em língua não inglesa e a de Melhor ator de drama, para Wagner Moura. É um feito semelhante ao alcançado por Central do Brasil, de Walter Salles, e por Fernanda Montenegro, há exatos 27 anos. Muita gente se pergunta qual a importância disso para o cinema brasileiro. Ora, ela é enorme. Poderíamos dizer, a premiação tem o peso de um "fenemê". O que mesmo? "Fenemê!".... Aparentemente aleatória, a referência tem tudo a ver com o filme do diretor pernambucano. Um caminhão da FNM - carinhosamente chamado de "fenemê" pelos brasileiros — aparece vadiamente na cena em que um pistoleiro é contratado para matar o personagem de Wagner Moura em Recife. Curiosa a lembrança do caminhão da Fábrica Nacional de Motores, um projeto que começou ainda no governo Vargas, uma tentativa de nacionalização de parte da indústria automotiva nacional, projeto em parceria com a Alfa Romeo italiana.
O agente secreto é um filme de memória, memória da ditadura militar, mas narrado como um fio desencapado, de forma complexa, multifacetada, surpreendente. É como se cada um desses fios de história fossem alças auxiliares de uma autoestrada. Essas alças possibilitam os mais insuspeitados caminhos e atalhos da........
