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Bora filmar, galera!

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Rose May Carneiroprofessora doutora da Faculdade de Comunicação (UnB), coordenadora de extensão da FAC, membro do Gecoms (CNPq), líder do projeto @cine.pipocanorole

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Houve um tempo em que o cinema brasileiro parecia caminhar com os bolsos vazios e o coração cheio. Um tempo em que filmar significava insistir, quase teimar, contra a escassez de recursos, os cortes sucessivos, o descrédito sistemático e o riso enviesado de quem sempre achou que nossa cultura precisava pedir licença para existir. Esse tempo não desapareceu por completo, mas algo se deslocou. Mudou porque seguimos. Mudou porque insistimos. Mudou porque nunca abrimos mão de contar histórias, mesmo quando tudo conspirava contra a permanência delas.

Quando O agente secreto foi premiado no Globo de Ouro, não foi apenas um filme que subiu ao palco. Subiu junto uma tradição inteira de imagens feitas à revelia do apagamento. Subiram os cineastas que filmaram sem garantias, os coletivos que sustentaram salas improvisadas, os cineclubes que resistiram ao abandono, os estudantes que aprenderam a filmar antes mesmo de aprender a pedir permissão. Subiu um país que, mesmo ferido, segue imaginando.

Há vitórias que não cabem no troféu. Essa é uma delas. Porque ela devolve ao cinema brasileiro algo........

© Correio Braziliense