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A ameaça nuclear na crise iraniana

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Com mais de 2 mil mortos estimados até ontem, os protestos que varrem as ruas de Teerã e de outras grandes cidades iranianas deixaram de ser apenas uma manifestação de descontentamento popular contra o regime opressivo que comanda o país desde 1979 para se tornar um fator de instabilidade global de primeira grandeza. Tanto a perspectiva de um conflito civil prolongado quanto a de um vácuo de poder abrupto no Irã impõem uma reflexão pragmática — e sombria - sobre a segurança internacional.

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O Irã não é a Líbia de 2011, nem o Iraque de 2003. Trata-se de uma potência regional com um programa nuclear maduro, sofisticado e, em grande medida, pouco transparente. Anos de enriquecimento de urânio a níveis próximos ao grau militar, somados ao desenvolvimento de vetores balísticos, sugerem que o regime dos aiatolás domina o ciclo completo do átomo. Logo, a constatação de que o país já possua artefatos nucleares montados ou consiga montar uma bomba nuclear em questão de dias não pode ser descartada pelos serviços de inteligência.

É nesse ponto que a desordem interna cruza a fronteira........

© Correio Braziliense