menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

2025: o ano em que a cultura decidiu não pedir licença

4 1
31.12.2025

» JOSÉ MANUEL DIOGO Escritor e curador. Presidente da Associação Portugal Brasil 200, fundador da casa da cidadania da língua

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Enquanto o mundo tropeçava em guerras prolongadas, algoritmos opacos, crises ambientais e nostalgias políticas mal resolvidas, a cultura fez o movimento inverso: avançou. Não pediu licença, não esperou consenso, não se vestiu de neutralidade. Foi barulhenta, híbrida, política e, acima de tudo, viva — como só a cultura consegue ser quando deixa de tentar agradar.

O ano começou a anunciar o tom. O cinema brasileiro reaprendeu a falar alto com Ainda estou aqui, de Walter Salles. Não levou o Oscar principal, mas conquistou algo mais raro e mais decisivo: público. Cinco milhões de pessoas nas salas, Fernanda Torres celebrada em Hollywood e a sensação — quase esquecida — de que o cinema nacional voltou a ser assunto de mesa de jantar, não apenas de edital ou política pública. A lição foi simples e profunda: quando a cultura encontra gente, vira locomotiva. Sem público, ela é discurso; com público, é força.

Na literatura, 2025 foi um ano simultâneo de consagração e confronto. O Prêmio Camões entregue à angolana Ana Paula Tavares representou mais do que um reconhecimento individual: foi um gesto simbólico de recentralização da língua........

© Correio Braziliense