"Recrutar e expandir": o caso Venezuela e a estratégia dos EUA para a região
Juliano da Silva Cortinhas — professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB)
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A intervenção dos Estados Unidos na Venezuela traz maior instabilidade para as relações internacionais, em especial para a América Latina. Trump reposiciona os EUA no mundo e deixa claro que o país não irá mais pagar pelos custos de manutenção da ordem internacional. Essa estratégia foi iniciada em sua gestão anterior, mas agora o foco é o continente americano.
A Estratégia de Segurança Nacional (NSS), publicada recentemente, deixa isso evidente a partir do "Corolário Trump à Doutrina Monroe", o qual estabelece que "recrutar e expandir" são os objetivos dos EUA para o continente americano. Os aliados dos EUA nas Américas serão recrutados para "controlar a migração, interromper os fluxos de drogas e fortalecer a estabilidade e a segurança", enquanto a expansão significa reforçar a atratividade dos EUA "como o parceiro econômico e de segurança preferencial do Hemisfério".
Assim, a NSS esclarece uma premissa que foi usada na intervenção da Venezuela: os EUA não respeitam mais o direito internacional; suas ações se guiarão exclusivamente pelo que a gestão atual considera ser o interesse nacional do país. A operação contra a Venezuela, nesses termos, não teve caráter ideológico, mas econômico/comercial. Maduro não foi retirado do poder por sua inclinação ideológica ou por ser um........
