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Juros altíssimos: Não é só o Galípolo, é a arquitetura do BC

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26.08.2026

No artigo “Qual Gabriel Galípolo está no Banco Central?”, o economista Gustavo Pessoa levanta uma questão pertinente ao contrapor a imagem do intelectual à atuação prática do atual presidente da autarquia. No entanto, proponho um deslocamento do foco: a pergunta fundamental talvez não seja “qual Galípolo ocupa a cadeira do BC?”, mas sim “o que acontece com diferentes economistas quando passam a decidir dentro da arquitetura institucional do Banco Central?”.

Para responder a essa questão, é necessário incorporar os conceitos do economista Mauricio Luperi sobre autonomia capturada e dominância epistêmica – a capacidade de um grupo ou corrente teórica de impor sua visão de mundo, saberes e critérios como verdades praticamente incontestáveis. Nesse sentido, o caso do BC evidencia, eventualmente, que o problema não se reduz à captura pessoal ou partidária.

A autonomia formal da instituição opera dentro de uma estrutura de incentivos, fontes de informação, modelos matemáticos e convenções que tendem a produzir decisões em uma direção invariável, independentemente de quem ocupe a........

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