A engenharia da confusão no século digital
Alertas históricos não costumam falhar — apenas são ignorados até que o estrago se torne irreversível. Um deles foi formulado por Yuri Bezmenov, ex-agente da KGB que desertou para o Ocidente e dedicou sua vida a explicar um fenômeno brutal: a destruição deliberada da capacidade humana de reconhecer a verdade. Não se trata de convencer por argumentos, mas de algo muito mais profundo e violento — aniquilar o discernimento, corroer o senso de realidade, tornar o indivíduo imune aos fatos.
Quando isso ocorre, a verdade pode gritar: ela não é mais ouvida.
Bezmenov chamou esse processo de desmoralização. Um estágio avançado da manipulação em que o problema deixa de ser falta de informação e passa a ser falência cognitiva e moral. A pessoa desmoralizada não rejeita a verdade por ignorância, mas por incapacidade estrutural de aceitá-la. A realidade deixa de funcionar como critério. O que importa é a narrativa que conforta, mobiliza ou inflama.
Da propaganda clássica ao colapso algorítmico
Durante a Guerra Fria, a propaganda exigia meios estatais, tempo, hierarquia e disciplina. No século XXI, o mesmo efeito é obtido por caminhos mais eficientes — e perigosamente difusos.
Redes sociais, plataformas digitais e sistemas algorítmicos transformaram a desinformação em produto escalável, distribuído em velocidade industrial e moldado para maximizar emoção, não veracidade. Fato.
Hoje, não é preciso esconder a verdade. Basta submergi-la em ruído, relativizá-la até a exaustão, colocá-la em disputa permanente com versões fabricadas sob medida para identidades tribais.
A verdade não desaparece — ela perde relevância. É isso que está acontecendo segundo a segundo, em........
