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Como Washington vende guerras ao mundo com palavras

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saturday

Quando os Estados Unidos atacam outro país, não enviam apenas tropas nem lançam mísseis. Começam pela linguagem. O que estamos vendo na Venezuela não é uma comunicação aleatória, mas um sistema narrativo bem desenhado — construído em torno de três passos básicos e repetido por um conjunto de truques retóricos familiares. E, quando se entende como esse sistema funciona, fica impossível não enxergar o mesmo padrão se repetindo, uma e outra vez.

O primeiro passo é o disfarce. Mude o nome de uma ação e você muda a forma como ela é julgada. Por isso, os Estados Unidos não se referiram ao que fizeram na Venezuela como “invasão”. Na verdade, nem usaram a linguagem da guerra. Em vez disso, falaram em “sequestro”, “prisão” e “operações conjuntas com forças de segurança”. Todos esses termos são típicos do policiamento doméstico, não de um conflito armado. O efeito é poderoso: quando a ação é apresentada como “aplicação da lei”, as questões de soberania e de Carta das Nações Unidas desaparecem silenciosamente da conversa.

A violência desencadeada por Washington é ainda mais........

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