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Aniversário de Paulo Freire, educador universal

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19.09.2026

Paulo Freire estaria com 105 anos. Mais cento e cinco anos vão passar e não passará a sua obra em todas as gentes.  Nascido no Recife em 19 de setembro de 1921, Paulo Freire superou a contradição de ser do Recife e de todas as cidades do mundo ao mesmo tempo. Muito além de Pernambuco, ele se tornou um homem sem fronteiras por força do trabalho como filósofo e educador revolucionário.  

Sobre ele, posso começar pela cópia do seu lindo poema, que fala da universalidade do Recife. Quem me avisou desta bela poesia foi Peter Lownds, o escritor e poeta norte-americano mais brasileiro que existe, ele próprio um estudioso da obra de Paulo Freire. Peter Lownds traduziu este poema para o inglês. É um cântico de amor ao povo, que o nosso maior educador escreveu no exílio, sob a mais funda saudade:

Nunca te dás de uma vez.

Só aos pouquinhos te entregas

Podias chamar-te Maria

De Santiago te escrevo, Recife, 

Para falar de ti a ti, 

Para dizer-te que te quero 

Profundamente, que te quero. 

Cinco anos faz que te deixei – 

Manhã cedo – tinha medo de olhar-te, 

Tinha medo de ferir-te 

Tinha medo de magoar-te. 

Manhã cedo – palavras não dizia. 

Como dizer palavra se partia?

Tinha medo de ouvir-me, 

Tinha medo de olhar-me, Tinha medo de ferir-me, 

Manhã cedo – as ruas atravessando

O aeroporto se aproximando, 

O momento exato chegando, 

Mil lembranças de ti me tomando 

No meu silêncio necessário. 

De Santiago te escrevo, 

Para falar de ti a ti, 

Para dizer-te de minha saudade, Recife, 

Saudade mansa – paciente saudade, 

Saudade bem-comportada. 

Recife, sempre Recife, de ruas de 

Rua da União, que Manuel 

Bandeira tinha “medo que

 se chamasse rua Fulano 

de tal” e que hoje eu temo 

que venha a se chamar 

Rua Coronel Fulano de Tal. 

Rua dos Sete Pecados. 

gritando nas ruas, ritmadamente: 

Chora menino pra comprar pitomba! 

Eu tenho lã de barriguda pra “trabiceiro”! 

Doce de banana e goiaba! 

Para nós, meninos da mesma rua, 

aquele homem que andava apressado 

quase correndo – gritando, gritando: 

Doce e banana e goiaba! 

Aquele homem era um brinquedo também. 

Doce de banana e goiaba! 

Em cada esquina, um de nós........

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