Show de Shakira em Copacabana: o espetáculo foi lindo. Para quem pôde ver
Milhões pessoas foram a Copacabana no último sábado para um show anunciado como gratuito e público. Um trabalhador morreu na montagem do palco. O som falhou. O telão não aproximava. O atraso foi de uma hora. Houve arrastão, briga e esmagamento de corpos sem intervenção efetiva. E a área VIP era maior do que qualquer coisa que o povo carioca conseguiu ver.
Isso não foi um problema de Shakira, foi um problema de Estado e da organização! Um trabalhador morreu, ninguém falou. Antes de qualquer análise sobre logística ou experiência pública, é preciso registrar o fato de que a cobertura midiática tratou como nota de rodapé que um jovem trabalhador morreu durante a montagem da etapa. Seu nome não foi pronunciado no evento. Não houve menção, não houve homenagem, não houve interrupção simbólica de espécie alguma. O show aconteceu no palco que ele ajudou a construir e isso o matou, a festa não parou.
Isso não é esquecimento, é o funcionamento normal do espetáculo como relação de produção, o trabalhador é invisível enquanto produz e desaparece quando morre.
Mas vamos a parte de publicidade.
O evento foi amplamente divulgado como um show público gratuito. O que não foi divulgado com a mesma ênfase é que a área VIP ocupou uma proporção desproporcional do espaço disponível – melhor posicionado, protegido, estruturado. O público que chegava de bairros distantes como de outros países, que dormia na areia para garantir posição, que vinha com família e criança nos braços, ficava do lado de fora dessa divisão invisível.
Milhões de pessoas não viram........
