O poder silencioso dos números
Em visita ao Brasil neste mês, a relatora especial da ONU sobre violência contra mulheres e meninas, Reem Alsalem, mobilizou uma agenda que não passou despercebida. Suas críticas às políticas de reconhecimento de identidade de gênero e à inclusão de pessoas trans encontraram eco em espaços institucionais e midiáticos. No dia 5, esteve no Senado, em reunião da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, presidida por Damares Alves. Antes disso, participou, em São Paulo, de um evento promovido pela organização Matria, conhecida por posições contrárias à inclusão de pessoas trans. Em entrevista ao site Poder360, reiterou seu posicionamento.
Mas há algo que me interessa mais do que o conteúdo imediato dessas falas. Há uma engrenagem menos visível, porém decisiva, que sustenta esse tipo de circulação. É sobre ela que precisamos falar.
Ao longo da minha pesquisa e, mais recentemente, no livro Programa de travesti: educação & mídia, venho insistindo em um ponto que parece simples, mas que ainda escapa ao debate público. A força de uma página, de um discurso ou de uma posição não está apenas no que se diz, mas em........
