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O Brasil perde R$ 94 bilhões por ano nos excluindo. Mas o relatório do Banco Mundial não consegue contar o que não tem preço

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30.04.2026

Existe um número que o Banco Mundial conseguiu calcular e outro que ele não tentou. Vamos entender!

O primeiro está no relatório lançado em 2026 pelo Banco Mundial em parceria com o Instituto Matizes e outras organizações brasileiras: a exclusão de pessoas LGBTI do mercado de trabalho custa ao Brasil R$ 94,4 bilhões por ano. Quase 1% do PIB. Uma sangria econômica silenciosa, sistemática e mensurável, distribuída entre salários menores, desemprego mais alto, inatividade compulsória e informalidade imposta.

O segundo número não tem coluna em nenhuma tabela. É o custo de uma travesti que saiu da escola porque o banheiro era uma guerra, de um homem trans que desistiu do emprego formal porque a carteira assinada exigiria expor um nome que não existe mais, de uma mulher lésbica negra da periferia de Belém que nunca chegou a mandar o currículo porque já sabia qual seria a resposta.

Esse custo não tem preço, mas tem nome. E o mais importante é dizer que esse relatório é, ao mesmo tempo, uma das evidências mais robustas já produzidas sobre a nossa exclusão no Brasil e um espelho do que a ciência ainda não sabe ver.

Os números que o relatório conseguiu

A pesquisa ouviu 11.231 pessoas LGBTI adultas em todo o Brasil entre junho e setembro de 2025, combinando entrevistas online e presenciais. É a maior coleta de dados primários já feita sobre o mercado de trabalho da nossa população no país.

Os resultados são devastadores na sua precisão. A taxa de desemprego entre pessoas LGBTI é de 15,2% — o dobro da taxa nacional de 7,7%. A inatividade chega a 37,4%, contra 33,4% da população geral. E mesmo entre as que conseguem trabalho, a renda relativa é 9% menor do que a de pessoas com as mesmas características demográficas fora da sigla.

As perdas fiscais anuais chegam a R$ 14,6 bilhões em impostos não arrecadados e gastos extras com proteção social. O Brasil........

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