O blackface não é experimento social — é violência epistemológica
Quando a deputada Fabiana Bolsonaro pinta o próprio rosto numa encenação de blackface — ao mesmo tempo em que ataca mulheres trans no plenário — o que se produz ali não é polêmica. É um curto-circuito entre violência simbólica, ignorância histórica e instrumentalização política do corpo do outro.
A cena ocorrida na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo não pode ser lida como excesso retórico isolado. A reação anunciada por Ediane Maria, com representação na Comissão de Ética e acionamento do Ministério Público, sinaliza exatamente isso: não se trata de opinião divergente, mas de possível quebra de decoro e de produção ativa de violência racial e de gênero no interior de uma instituição que deveria proteger ambas.
O gesto não comporta suavização por que não há ética. Não há distanciamento analítico, mas uma encenação e o poder sendo exercido sobre corpos que não foram consultados.
Nomear essa prática........
